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Após mortes e acidentes, sindicato exige força-tarefa para fiscalizar setor de eventos, principalmente montagem de palcos

Mortes, quedas e desabamentos registrados em diferentes cidades levam sindicato a pedir força-tarefa de fiscalização no setor de eventos. Uma sequência de acidentes envolvendo estruturas temporárias utilizadas em eventos em Minas Gerais, ao longo de 2026, colocou em evidência os riscos enfrentados por trabalhadores durante a montagem, operação e desmontagem de palcos, gradis, pórticos e outras instalações.
Os episódios ocorreram em diferentes regiões do Estado e envolveram mortes, quedas de trabalhadores e desabamentos de estruturas durante eventos. Em setembro, ocorrências em Patos de Minas, Sete Lagoas e Viçosa ampliaram a preocupação com as condições de segurança em grandes eventos.
Diante dos casos, o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Produção, Organização, Promoção, Montagem, Operação e Projetos de Eventos de Minas Gerais (SINTEPOPE-MG) prepara um pedido de força-tarefa aos órgãos de fiscalização.
Além dos acidentes já registrados, o sindicato informa ter recebido denúncias sobre possíveis acidentes e situações de risco envolvendo trabalhadores durante montagens no complexo do Mineirão, administrado pela concessionária Minas Arena, e também em estruturas utilizadas para eventos no Expominas. As informações deverão ser encaminhadas aos órgãos competentes para apuração.
Trabalhador morre durante desmontagem em Careaçu
Um dos casos mais graves ocorreu em 25 de junho, em Careaçu, no Sul de Minas. Luiz Fernando Oliveira, de 25 anos, morreu depois de ser atingido na cabeça por uma estrutura metálica durante a desmontagem do Careaçu Rodeio Show. O trabalhador prestava serviço para uma empresa terceirizada responsável pela retirada das estruturas. Um gradil teria se desprendido durante a movimentação das peças para um caminhão. O episódio chama atenção para uma etapa que ocorre depois do encerramento do evento, quando estruturas precisam ser desmontadas e retiradas do local.
Queda durante desmontagem termina em morte em Nova Serrana
Outro acidente grave ocorreu em Nova Serrana, durante a desmontagem da estrutura utilizada na festa junina. O acidente provocou a morte do trabalhador Pablo Vinícius Fernandes, de 30 anos.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Pablo trabalhava na desmontagem da estrutura quando sofreu uma queda de aproximadamente três metros.
A ocorrência reforça a atenção para os riscos existentes durante a desmontagem de palcos e estruturas temporárias, especialmente em atividades que envolvem trabalho em altura.
A apuração das circunstâncias do acidente poderá verificar as condições de segurança existentes no local, incluindo planejamento da desmontagem, equipamentos de proteção, treinamento dos trabalhadores e procedimentos adotados para a execução da atividade.
Temporal provoca acidentes em estruturas de eventos
As condições meteorológicas também aparecem entre os fatores associados às ocorrências registradas em setembro. Em 5 de setembro, uma estrutura de evento em Patos de Minas foi atingida por chuva e ventos fortes. Segundo as informações reunidas pelo sindicato, cinco pessoas ficaram feridas. No mesmo dia, Sete Lagoas registrou ocorrências envolvendo estruturas da Exposete. Uma estrutura de acesso aos banheiros teria desabado, deixando pessoas feridas. Posteriormente, outros pórticos metálicos foram atingidos pelo vendaval.
O conjunto dos episódios levantou questionamentos sobre os procedimentos de monitoramento das condições climáticas, estabilidade, ancoragem e eventual interrupção de atividades diante de ventos fortes.
Palco cede durante apresentação em Viçosa
Em Viçosa, durante o Spring Festival Unity, parte do piso do palco cedeu durante uma apresentação da cantora Gloria Groove. Dois bailarinos caíram no espaço aberto pela falha.
Segundo informações divulgadas à época, os profissionais foram socorridos e não sofreram ferimentos graves. O caso ocorreu durante uma apresentação, evidenciando que os riscos relacionados às estruturas temporárias não se limitam à montagem e desmontagem. Falhas durante a operação também podem atingir artistas, trabalhadores técnicos e o público.
Montagem e desmontagem concentram riscos
Palcos, estruturas de alumínio, torres de iluminação, painéis de LED, passarelas, praticáveis, arquibancadas e pórticos fazem parte da infraestrutura utilizada em grandes eventos.
A atividade envolve profissionais de montagem e desmontagem, técnicos de iluminação e som, operadores de audiovisual, riggers, cenógrafos, equipes de logística e trabalhadores responsáveis pela operação dos palcos.
Entre os riscos estão quedas de altura, desprendimento de peças, tombamento de estruturas, movimentação de cargas, falhas de ancoragem e exposição a condições climáticas adversas.
Para o sindicato, a fiscalização não deve ocorrer somente depois de um acidente. A proposta é ampliar as ações preventivas antes e durante os eventos, principalmente em estruturas de grande porte.
Sindicato pede força-tarefa
Diante da sucessão de ocorrências, o SINTEPOPE-MG pretende solicitar à Auditoria-Fiscal do Trabalho em Minas Gerais uma força-tarefa para fiscalização das empresas responsáveis pela montagem, operação e desmontagem de estruturas temporárias. O sindicato também pretende encaminhar o pedido ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao CREA-MG, propondo uma atuação integrada dentro das atribuições legais de cada órgão.
Entre os pontos que o sindicato quer que sejam fiscalizados estão o gerenciamento de riscos ocupacionais, trabalho em altura, utilização de equipamentos de proteção, estabilidade das estruturas, sistemas de ancoragem, procedimentos de montagem e desmontagem e documentação técnica exigida em cada caso.
Denúncias sobre Mineirão e Expominas
Além dos acidentes documentados no dossiê, o SINTEPOPE-MG afirma ter recebido denúncias relacionadas às condições de trabalho em montagens realizadas no complexo do Mineirão e no Expominas. Segundo o sindicato, os relatos envolvem possíveis situações de risco durante atividades de montagem e desmontagem de estruturas utilizadas em eventos. A entidade pretende encaminhar as informações aos órgãos de fiscalização para que sejam verificadas as condições efetivamente encontradas nos locais.
No caso do Mineirão, o sindicato também pretende solicitar informações sobre as empresas contratadas para serviços de montagem, desmontagem e operação de estruturas temporárias, além dos procedimentos de segurança adotados para os trabalhadores.
Documento será encaminhado aos órgãos de fiscalização
O dossiê elaborado pelo SINTEPOPE-MG reúne ocorrências registradas em 2026 e apresenta medidas que, segundo a entidade, devem ser verificadas pelos órgãos competentes.
O sindicato defende a realização de inspeções preventivas e a integração entre Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, CREA-MG, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, respeitadas as atribuições legais de cada órgão.
A entidade também afirma estar disponível para encaminhar informações e denúncias de trabalhadores sobre situações de risco. A apuração das causas e das eventuais responsabilidades por cada acidente cabe aos órgãos competentes, a partir das investigações e perícias específicas de cada ocorrência. O objetivo do sindicato é ampliar a prevenção e reduzir os riscos aos trabalhadores envolvidos na montagem, operação e desmontagem de estruturas temporárias em Minas Gerais.
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